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“Boi vale mais que gente”

De Belém
Colaborou Diego Santos

Osvaldo Batista tem 60 anos e mora desde que nasceu em uma comunidade quilombola chamada Gurupá, no Marajó, Pará. Hoje, é presidente da Associação Quilombola de Gurupá e conta, em rápida entrevista, um pouco da trajetória do movimento e das expectativas em relação ao FSM.

Ibase – Há quanto tempo o movimento quilombola está organizado em Gurupá?

Osvaldo – Começamos há exatamente 30 anos com o movimento da igreja que depois foi se organizando com a chegada dos movimentos sociais de trabalhadores rurais. Hoje, ainda é difícil manter o movimento, pois a falta de escolaridade expressiva da população prejudica a compreensão das informações.

Ibase – Quais são as principais reivindicações do movimento?

Osvaldo – São o reconhecimento do povo quilombola para que sejam feitas as demarcações e titulações de territórios, hoje tomados pelos fazendeiros, para que assim seja possível a implantação de políticas públicas que assegurem as condições básicas de sobrevivência.

Ibase – Então, quais são as dificuldades encontradas nesse processo?

Osvaldo - Os fazendeiros. O latifúndio faz com que esses homens deixem de lado todas as noções de humanidade e se preocupem mais com a ocupação de terra do que com a condição de vida das pessoas. O boi vale mais do que gente. Ainda esbarramos na falta de interesse dos governos. Não se acha em nenhuma escala de governo projetos específicos para as áreas quilombolas.

Ibase- E os objetivos no Fórum Social Mundial?

Osvaldo – Os principais objetivos são trazer ao debate as lutas do povo quilombola e trocar experiências com outros povos na mesma condição a fim de encontrar resoluções e saídas para essa situação.

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