De Belém
Ana Bittencourt e Diego Santos

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Todos os estados brasileiros estavam representados na Feira de Economia Solidária (EcoSol) realizada neste FSM 2009, em Belém. Além disso, ocorreram cerca de 120 atividades autogestionadas sobre o tema. Algumas delegações vieram para Belém em caravanas, com ônibus lotados de integrantes.

O movimento de EcoSol começou a se fortalecer no Brasil em 2001, com a primeira edição do FSM , em Porto Alegre. O pioneiro da iniciativa, inspirada em experiências canadenses, foi o estado do Rio Grande do Sul, que passou a trabalhar com o tema a partir de 1983. De lá para cá, o movimento cresceu e apareceu. Hoje, são cerca de 80 mil empreendimentos em âmbito nacional.

Trata-se de uma forma de sustentabilidade de pessoas sem qualquer vínculo empregatício com entidades públicas ou privadas, uma iniciativa que funciona coletivamente - não há como fazer um trabalho individual nesse âmbito, é preciso estar ligado a alguma associação, cooperativa, grupo de trabalho ou de prestadores de serviços.

Para além disso, é também uma forma de descontruir os padrões que fazem parte de um mercado globalizado, homogeneizante, degradante e exploratório e substitui-lo, aos poucos, por outras formas de produção e consumo, que respeitem o meio ambiente, a diversidade étnica e cultural e os direitos human os.

A atuação do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, bem como dos fóruns estaduais e municipais, integrados por organizações da sociedade civil, foi crucial para a criação de marcos legais relacionados à EcoSol no país. Foi o caso da Secretaria Nacional de Economia Solidária e das secretarias estaduais e municipais, ainda durante o primeiro mandato do governo Lula, que funcionam com membros da sociedade e do governo e já conseguiram a aprovação de leis nacionais e municipais para solidificar esse movimento e também para fortalecer o trabalho em rede dentro do Brasil e no âmbito internacional.

“Não viemos aqui apenas para vender nossos produtos, mas também para participar de debates , oficinas, marchas, para nos articular com outros movimentos, seja do Brasil, seja de outros países. Viemos aqui para mostrar a cara, mostrar o tamanho do nosso movimento”, conta a coordenadora do Fórum Estadual de Economia Solidária do Acre e membro da Coordenação Executiva da Região Norte do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, Márcia Silvia de Lima.

“Estou tendo aqui o primeiro contato com a Economia Solidária. Acredito que essa iniciativa seja importante para valorizar o artesão, por isso deveriam existir mais políticas de incentivo”, afirma a paraense Cláudia Barros, 23 anos, visitante da Feira de Economia Solidária.

“Estou achando esse evento muito bom. Esse tipo de parceria com a sociedade incentiva a produção e a melhor distribuição de recursos”, defende o também paraense Carlos Alexandre. A artesã alagoana Maria Aparecida, 34 anos, está participando do FSM pela primeira vez como integrante do movimento de EcoSol, com exposição e venda de peças de corchê e fuxico: “Estou gostando, mas acho que a Feira, bem como o Fórum, deveriam ser abertos a todo o público da cidade e não apenas a quem tem uma credencial, como está acontecendo”, critica.

Foi também no primeiro FSM que surgiu a idéia de se criar uma moeda social para servir como elemento de troca na comercialização dos produtos da EcoSol. O mesmo ocorre em eventos estaduais e municipais, quando são criadas moedas com as marcas culturais de cada localidade e que fortalecem a interação entre público e ecosolidários(as).

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Nesta edição, a moeda brasileira foi substituída, no território social, pela Amazonidas. “Esta moeda é uma forma de fortalecer o movimento. Quem compra com Amazonidas, que vale o mesmo que o Real, ganha 20% de desconto nas compras da EcoSol. No fim da Feira, quem ficar com moedas sociais sobrando, pode trocar no EcoBanco por Reais ou por outros produtos da EcoSol.

Em Palmas, Tocantins, a experiência da moeda social foi ampliada para além das atividades de EcoSol. Assim, é possível utilizar a moeda Palmas em farmácias, supermercados e lojas, onde também funciona o EcoBanco Palmas. “Estamos querendo levar essa experiência exemplar para outros estados onde o movimento de EcoSol já está mais forte, é o caso de Porto Alegre, Santa Catarina e de alguns municípios do Nordeste, do Acre e de Minas Gerais”, diz Márcia.

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Para quem estiver interessado(a) em participar de um empreendimento de EcoSol, a dica é procurar o fórum ou a secretaria local que, geralmente, funcionam nas prefeituras e governadorias. Para quem está no território FSM na UFPA, a Feira de Economia Solidária estará funcionando até as 12h deste domingo, 1º de fevereiro, último dia do FSM 2009.

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Um comentário para “ Consumo com sabor de transformação social ”

  1. rosana em 18 de Fevereiro de 2009 às 13:53

    olá pessoal do IBASE!

    muito bom o blog do FSM.
    há algumas informações no texto sobre o território da Economia Solidária que precisam ser corrigidas:
    - realmente todos os estados estavam representados na feira de economia solidária, no entanto, de cada estado vieram representantes. alguns estados, como MG, RO, AC, vieram com ônibus lotados. outros estados vieram com alguns representantes em ônibus de outros movimentos sociais ou por via aérea, com uma pequena delegação;
    - pelo mapeamento da economia solidária, realizando pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária e a Secretaria Nacional de Economia Solidária, hoje existem mais de 20mil empreendimentos de economia solidária no país;
    - o Banco Palmas, que tem o circulante local (moeda social), fica em Fortaleza/ Ceará.

    solidariamente,
    rosana

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