De Belém
Renato Simões*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu ontem, sexta-feira, pela manhã, com cerca de 80 representantes de movimentos sociais, organizações não-governamentais e redes de entidades que compõem o Conselho Internacional (CI) do Fórum Social Mundial (FSM), no Hotel Hilton, em Belém do Pará.

Coordenada pelo diretor do Ibase e integrante do CI, Cândido Grzybowski, a reunião contou ainda com a participação de duas ministras – Dilma Roussef, da Casa Civil, e Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres – e de sete ministros – Tarso Genro, da Justiça; Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência; Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário; Altemir Gregolin, da Aquicultura e Pesca; Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social; Edson Santos, da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial; Samuel Pinheiro Guimarães, das Relações Exteriores (em exercício); além do assessor especial para Relações Exteriores, Marco Aurélio Garcia.

Sobre a crise atual e um possível isolamento do G-20 em relação aos países mais pobres, o presidente afirmou que o grupo não serve para que países ricos cooptem os chamados emergentes e completou: “É a primeira vez numa crise que o FMI, o Banco Mundial e os países rícos não têm soluções”.

Porém, deixou claro que o país continuará fazendo investimentos. “Temos o compromisso de não diminuir um centavo nos investimentos previstos para 2009 e 2010”, disse, e criticou a possível política protecionista do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.“Quando a situação estava boa, o mundo desenvolvido pregou o livre comércio. Agora que estão em más condições, prevalece o protecionismo.”

Lula acredita ainda na construção de alternativas políticas para a crise. “É preciso pressionar os governantes a sentarem-se à mesa com os movimentos para elaborar alternativas. O modelo de desenvolvimento atual está equivocado, o modelo de consumo está equivocado, e, sem mudar isso, todo o enfrentamento da crise será em vão”, defendeu o presidente.

Ao falar sobre a comunicação, o presidente confirmou a realização da I Conferência Nacional de Comunicação e acredita no surgimento de propostas mais avançadas para o Brasil. “Estarei assinando o decreto nos próximos dias, convocando-a nos âmbitos municipal, estadual e nacional”, promete.

O presidente também foi indagado sobre a possibilidade de mediação com governos de outros países a fim de que sejam realizadas edições do FSM no Oriente Médio ou nos Estados Unidos. Lula prometeu fazer o que estiver ao seu alcance para que o desejo seja possível. “Utilizarei minhas relações com os demais presidentes para que facilitem a entrada das pessoas. Não será fácil, mas não custa tentar”, garante.

Sobre a Amazônia, o presidente foi otimista. Porém, revelou que há muito o que fazer. “Estamos fazendo muito pela Amazônia e para garantir os direitos indígenas. E quanto mais nós fizermos, mais vamos descobrir o que fazer, pois é a lógica da natureza e do ser humano: a cada conquista, você descobre que pode mais.”

Lula garantiu ainda que o processo de regularização de terras na Amazônia, decidido na semana passada, terá impacto direto na redução da violência, e será feito até 2010, sob coordenação do Ministério da Agricultura, em uma secretaria especial, fora da estrutura do Incra, e em uma parceria com os governos estaduais para acabar com os problemas cruciais da região.

Sobre a continuidade do FSM, o presidente garantiu que o processo deve continuar e reiterou que “se haviam dúvidas em relação à permanência do FSM, o Fórum de Belém acabou com elas. Sentimos que, diferentemente de outros, a crise mexeu com muita gente do FSM, que quer saber como sairemos desta. Isso é extraordinário, pois precisamos de unidade política e do movimento social neste momento.”

*Renato Simões é secretário Nacional de Movimentos Populares do Partido dos Trabalhadores (PT) e membro observador do Conselho Internacional do FSM.
*Para manter a linha editorial deste blog, reproduzimos apenas alguns trechos deste relato.

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